Há um exército brasileiro em defesa brasões estrangeiros. Um exército remunerado; bem remunerado. Um exército que aspirava vestir a farda verde-amarela e as cinco estrelas de campeão do mundo, mas sabia-se incompetente. Um exército realista. A cada ano esse exército engorda, robustece. Pra todo continente que se olha, está lá um brasileiro naturalizado, jogando entre poloneses, alemães, portugueses, espanhóis. Entre esses últimos, Marcos Senna foi recentemente campeão da Eurocopa 2008, sediada em parceria entre Suíca e Áustria. Até um campeonato europeu de seleções, um brasileiro já ganhou. E ainda tem quem argumente sobre crise técnica dos jogadores daqui, que eles não são mais como eram antigamente. Trova fiada. Abaixo, uma seleção de ex-brasileiros – selecionáveis em outras partes do mundo:
1 – Fabio dos Santos (titular do modesto Vietnã. Primeiro estrangeiro a jogar pelo país)
2 – Marcos Tulio (seleção japonesa e Urawa Reds, também do Japão: time que disputou o Mundial de Clubes do ano passado)
3 – Pepe (titular da seleção portuguesa e do Real Madri)
4 – Fabiano Santacroce (joga no Napoli e recentemente foi convocado para defender a Itália nas eliminatórias para a Copa de 2010)
6 – Alex (seleção japonesa, esteve na última Copa)
5 – Marcos Senna (jogador do Villareal e da seleção espanhola)
8 – Marco (ou Mehmet) Aurélio (titular do Fenerbahçe e da seleção turca)
10 – Deco (titular do Chelsea e da seleção portuguesa)
11 – Roger (ex-lateral contestado de Corinthians e Flamengo, é ídolo e titular da seleção polonesa. Disputou a última Eurocopa)
7 – Eduardo (titular da Croácia e jogador do Arsenal)
9 – Kevin Kurany (titular do Schalke 04 e jogador da seleção alemã)
Há outros nomes naturalizados: Francileudo, tunisiano; Derlei, português; E mais jogadores que vão trilhar o mesmo caminho: Taddei, da Roma, e Amauri, da Juventus, assediados sistematicamente pelo treinador da Itália, Marcelo Lippi. Como são ignorados pelas convocações de Dunga, devem aceitar o convite. Taddei foi, inclusive, aconselhado por Luis Felipe Scolari a atuar pela Azzura. O técnico do Penta argumentou, junto ao atleta que lançou no Palmeiras em 2000, que ele não terá chances no meio-campo brasileiro - já bem abastecido de Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Julio Baptista; e dos emergentes Lucas, Anderson e Alex. É provável que nem Felipão o convocasse caso ainda fosse responsável por nossa seleção.
Assim como Taddei, a maioria dos atletas citados acima não pegaria nem banco na Seleção Brasileira. As exceções: Deco e Pepe. Ainda estamos muito a frente dos outros países quando o assunto é revelar jogadores. Bastaria ser exemplo também na formação deles e na organização fora de campo, para que a vantagem em títulos mundiais fosse ampliada. Mas aí eu entraria em outras esferas, socias e econômicas (carentes, ambas, por aqui), e desviaria o foco do texto. Hoje me contento apenas com esse gostinho de superioridade. Superioridade que nem os argentinos, com sua habitual habilidade em formar craques e inerente e justificada pretensão, podem sentir.
Guilherme